Nanotecnologia potencializa poder curativo da romã
Mario Nicoll
Contemplada pelo programa Primeiros Projetos, a pesquisa Uso de Membranas de Ultra e Nanofiltração no Fracionamento do Extrato de Romã utiliza a técnica pela primeira vez no mundo. Apesar de o uso de membranas poliméricas no processo de separação da água ter começado na década de 1970 e de sua aplicação ter sido estendida para o beneficiamento de suco de frutas, o procedimento nunca havia sido testado em fracionamento de extratos vegetais.
Os resultados promissores não impedem que Marilza faça questão de ressaltar que o objetivo do trabalho foi realizar o fracionamento do extrato bruto de romã utilizando membranas poliméricas sintéticas a fim de obter frações com menor número de componentes. Para chegar às substâncias enriquecidas, essas frações precisam ser submetidas a uma nova etapa de separação por cromatografia líquida de alta eficiência.
O poder fitoterápico
A medicina popular relata o uso de romã no tratamento de diversas doenças. O chá feito com as folhas é usado para lavagens dos olhos e o chá produzido a partir das cascas dos frutos é usado nas infecções de garganta, em diarréias e desinterias crônicas. Estudos fitoquímicos descritos na literatura mostram que as cascas do fruto são ricas em taninos elágicos e derivados de ácido gálico, flavonóides, glicosilados, antocianinas, glicosídeos e ácidos graxos.
As cascas das raízes da romãzeira são ricas em alcalóides. O pericarpo apresentou atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus; Clostridium perfingeda e também foram isolados taninos elágicos, que apresentam propriedades cicatrizantes. A romã, cujo nome científico é Punica granatum, pertence à família das punicáceas. Nativa da Pérsia e cultivada no Irã desde 2000 AC , foi levada pelos fenícios para o Mediterrâneo de onde se difundiu para as Américas, chegando ao Brasil pelas mãos dos portugueses.
As vantagens da técnica
Segundo a pesquisadora, a principal vantagens do uso das membranas sintéticas é a redução da quantidade de solventes e adsorventes, o que implica em uma diminuição de custos e minimiza a exposição do técnico à grande quantidade de solvente. “Também o tempo gasto para realizar o fracionamento do extrato é reduzido, podendo ser feito em até 6 horas”, anima-se. O processo de fracionamento usual é mais difícil, moroso e dispendioso porque são necessárias fases estacionárias apolares, tais como Sephadex e LH-20, entre outras e grande quantidades de solventes.
A fase permeada rica em uma mistura de diversos componentes foi então submetida a uma nova etapa de fracionamento, utilizando membranas de nanofiltração. Nesta etapa a maior dificuldade é o ajuste do corte da membrana em função do peso molecular médio da fração permeada a fim de obter a separação desejada.
Os processos de separação por membranas são geralmente diferenciados em função da natureza da força motriz empregada para o transporte dos componentes e de suas características estruturais. Geralmente, o tamanho de poro define o processo de separação. Para se utilizar as membranas na separação, é preciso antes definir o tamanho do poro. Um grande número de membranas de nano e ultrafiltração estão comercialmente disponíveis, possibilitando a adequação a uma infinidade de processos de separação.
O mecanismo de separação se dá em função da diferença de tamanho entre as espécies presentes em solução a ser permeada e os poros da membrana. Também pode ocorrer exclusão por repulsão iônica. A separação por diferença de tamanho é mais efetiva na retenção de moléculas com pesos moleculares maiores que 200 Dalton.
Nos processo de nanofiltração a faixa de seletividade para solutos não carregados é da ordem de 0,1-10 nm, na ultrafiltração 1-100 nm de corte. O corte de uma membrana definido como o valor do peso molecular para o qual a rejeição da membrana é de 95% opera numa faixa de pressão 5 a 25 bar.
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